O legado de José Mourinho no Chelsea

Após vencer a Champions League mais improvável do século, na temporada 2003/2004, comandando o Porto, José Mourinho podia escolher qualquer clube do mundo para trabalhar na jornada seguinte. Optou por desembarcar em Londres para treinar o Chelsea e tentar colocar a agremiação no mais alto patamar do futebol europeu.

Em três anos, o treinador português conquistou dois Campeonatos Inglês, duas Copas da Liga e uma Copa da Inglaterra. Na Champions League, esteve entre os semifinalistas por duas vezes, mas nunca chegou até a final.

Demitido no início da quarta temporada, o jovem português nascido em Setúbal deixou um legado para o clube inglês e também para o mundo do futebol.

A principal evolução conduzida pelo técnico foi no setor defensivo, trazendo a dimensão da compactação para o jogo, ao posicionar o seu Chelsea com três jogadores no meio-campo que atuavam próximos à linha de defesa no momento sem bola.

Contudo, como todo time também é filho de seu tempo, mesmo que houvesse um ensaio à formação em bloco da defesa, os zagueiros dos Blues ainda jogavam orientados para “caçar”, na tentativa de recuperar a posse de bola, o que fazia com que a organização defensiva, muitas vezes, se desfizesse.

No ataque, o time do Chelsea direcionava seu jogo para realizar com velocidade a transição ofensiva. Ou seja, queria chegar rápido à área rival. Para isso, o uso de bolas longas lançadas em direção aos atacantes, sempre situados em profundidade, se tornou uma constante.

Um outro elemento presente na organização do ataque do time era a marcação sobre os defensores adversários. Havia uma clara intenção nos homens de frente do escrete londrino em desarmar seus rivais logo na saída de bola.

As atuações individuais são destacadas com as boas novas trazidas com Petr Cech, Ricardo Carvalho e Didier Drogba, e com jogadores de raízes fincadas como John Terry e Frank Lamparad, que fizeram do Chelsea uma equipe difícil de ser batida.

Se as premiações no futebol fossem como o Oscar, Damien Duff, Eidur Gudjohnsen e Joe Cole concorreriam ao prêmio de melhor jogador coadjuvante.

Desse modo, é um equívoco simplificar o futebol reativo do Special One como um jogo meramente defensivo. Em essência, sua ideia tinha como objetivo atacar os desequilíbrios de seus adversários, fosse com uma bola longa em profundidade ou recuperando a posse de bola ainda no campo de ataque.

O princípio “parking the bus”, símbolo do jogo de Mourinho depois de 2010, quando sua Internazionale eliminou o Barcelona de Guardiola em pleno Camp Nou, colocando todos os nove jogadores de linha — já que Thiago Motta havia sido expulso — para atuar à frente da meia-lua da grande área, não foi um elemento presente desde o início da sua carreira. Foi um recurso específico usado por alguém que, para ser campeão da Champions, tinha a ingrata tarefa de puxar o freio de mão do melhor Barcelona de todos os tempos.

Se o ônibus da retranca se generalizou em seus trabalhos futuros, é um outro debate. A hipótese que levanto é a de que o futebol mudou e José Mou perdeu o caminho para explorar a desorganização alheia. Julian Nagelsmann que o diga.

De qualquer modo, as contribuições de Mourinho para o desenvolvimento histórico do futebol são inegáveis. Inclusive, do ponto de vista metodológico, com a implementação da periodização tática, que estabeleceu que o treinamento só faria sentido se os exercícios realizados no dia a dia tivessem como objetivo o desenvolvimento do modelo de jogo. Um método que não foi elaborado por ele, mas popularizado através da curiosidade despertada em entender os seus trabalhos.

Assim também é com o Chelsea, que se tornou outro clube depois da passagem do Special One.

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Feita por: acidadeon

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